O ser humano é movido por desejos e não necessidades.
Ao inserir essa filosofia no conceito de consumo podemos notar que o principal fator que leva as pessoas a consumirem um vinho ou uma camiseta branca básica é o desejo. A necessidade é apenas o fator base, a chave para a construção de desejos, pela necessidade apenas dormiríamos, beberíamos água e comeríamos pão.
Foi pelos desejos, pelas paixões, pelos sentimentos que o ser humano passou a desenvolver as artes – gastronomia, marcenaria, design de roupas, ... – tudo o que consumimos hoje é resultado de uma necessidade que o ser humano desenvolveu, uma criação, uma arte. E isso só aconteceu por existir esse fator humano, muito pouco compreendido pela ciência, a paixão, o desejo.
Hoje estava a ler no ônibus na revista da ESPM, um debate entre acadêmicos sobre o consumo ser pecado. Não entrando no mérito do tema de discussão, os acadêmicos construíram uma visão em que o marketing responsável seria essencial no futuro para a sobrevivência da humanidade. O marketing responsável nada mais é do que manter a sociedade através de ações positivas a todos os fatores que influenciam a estabilidade dessa sociedade – recursos naturais, econômicos, violência, dentre outros.
O que mais me chamou a atenção no debate foi a conclusão até que óbvia, mas só é óbvia quando a constatamos: somente através de desejos conseguimos fazer com que a sociedade seja socialmente responsável. E tal desejo não pode ser apenas de uma pessoa, e sim, o desejo de uma sociedade inteira.
Como construímos esses desejos? Desejos são movidos por sentimentos: sentimentos de frustração, congratulação, alegria, paixão, dentre os muitos outros que podemos citar aqui.
Ok. Construímos esses desejos, mas como conseguimos que eles sejam inseridos num pensamento único de toda uma sociedade? No debate entre os acadêmicos demonstraram como a solução dessa pergunta a ditadura do pensamento, incitar em toda uma sociedade um único modo de pensar. Ampliando esses conceito, e aplicando-o mais na prática, faço um link entre esse tema e a palestra que vi ontem, sobre branding entertainment.
Uma das melhores formas de chamar a atenção de um target no marketing é associar a sua solução a interesses públicos, ou seja, os fatos; aquilo que saiu no jornal seja no caderno de dinheiro, mundo ou esportes.
O branding entertainment nada mais é do que isso. Associar uma marca ao interesse público. Como o publicitário Hercules pode constatar na palestra, o branding entertainment é a grande forma de mudar valores, hábitos e consumo na atualidade. Como exemplo, veja como um documentário de 45 minutos do Al Gore e alguns poucos dólares gerou uma repercussão gigantesca mundial e abriu a nova discussão, tendente, sobre o aquecimento global em todo mundo.
Isso só foi capaz pelo avanço tecnológico nas televisões, imagens. Hoje, imagem, vídeos são muito mais provocativos do que textos. Imagens falam mais que mil palavras, e Lipovetski, o grande estudioso da sociedade atual concordaria com isso, sobre o mundo superficial, o conteúdo que é o nada. O conteúdo hoje, o interesse público criador de desejos e sentimentos, está no entretenimento.
As pessoas estão muito mais ligadas a televisão, a vídeos e imagens do que textos jornalísticos. Então, vejo como solução para a criação de uma sociedade socialmente responsável, em primeiro a mudança de associação de que para construí-la, a sociedade tem de ser responsável. Todos sabem como o cigarro faz mal a saúde, o que jogar lixo na rua provoca, mas até então, é indiferente pra nós, se jogamos o lixo na rua ou não, não sentimos nada quando fazemos qualquer uma dessas ações, não há desejo.
Então, não deve-se eliminar a informação, com certeza isso é a base de tudo, mas associar a responsabilidade social ao entertainment é a grande chave de sucesso para a ação das pessoas. Associar ações responsáveis aos seus gostos é talvez a melhor forma para alcançar essa sociedade, e instigar nela sentimentos,desejos e como conseqüência ação.